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Reabilitação vestibular · vertigem posicional

VPPB

Entenda a Vertigem Posicional Paroxística Benigna, por que certas posições da cabeça desencadeiam vertigem e como testes e manobras específicas são utilizados no cuidado.

Vertigem posicionalDix-HallpikeCanais semicircularesReposicionamento
Representação didática do ouvido interno e de partículas que podem migrar para um canal semicircular.
Em linguagem clara

O que é VPPB?

VPPB significa Vertigem Posicional Paroxística Benigna. É uma alteração do ouvido interno em que pequenas partículas de carbonato de cálcio, chamadas otocônias, saem da região onde normalmente permanecem e entram em um dos canais semicirculares.

Quando a cabeça muda de posição, essas partículas movimentam o fluido do canal de forma inadequada e geram um sinal de movimento que não corresponde ao que os outros sistemas sensoriais estão informando. O resultado típico é uma crise breve de vertigem.

O nome explica bastante

Vertigem: sensação de movimento ou giro.

Posicional: aparece com posições específicas da cabeça.

Paroxística: costuma ocorrer em crises breves.

Benigna: não é uma doença maligna, embora possa ser incapacitante e aumentar risco de quedas.

Nem toda tontura é VPPB. O padrão da história, o nistagmo provocado nos testes posicionais e a exclusão de sinais incompatíveis são fundamentais antes de realizar uma manobra.
Possíveis manifestações

Como a VPPB costuma se manifestar

O padrão clássico envolve crises curtas desencadeadas por determinadas mudanças de posição. Entre as crises, algumas pessoas ficam bem e outras relatam instabilidade residual.
  • Vertigem ao deitar ou levantar da cama.
  • Crise ao virar para um dos lados na cama.
  • Vertigem ao olhar para cima, abaixar ou realizar movimentos específicos da cabeça.
  • Sensação de giro que geralmente dura segundos, embora o desconforto posterior possa durar mais.
  • Náusea e insegurança para se movimentar em alguns casos.
Visão Mokusô

Como avaliamos um quadro compatível com VPPB

A avaliação vestibular precisa identificar se a história e o nistagmo provocado correspondem a um canal e mecanismo específicos, além de procurar sinais que sugiram outra causa.
História

Quais movimentos provocam a crise, duração, início, recorrência e sintomas associados.

Dix-Hallpike

Teste posicional utilizado principalmente para investigar VPPB do canal posterior.

Rotação supina

Pode ser necessária quando o padrão sugere envolvimento do canal horizontal.

Triagem clínica

Observamos sinais atípicos, risco de queda e fatores que podem exigir avaliação médica adicional.

Reabilitação

Como a VPPB é tratada

Quando a avaliação confirma um padrão de VPPB, o tratamento principal é uma manobra de reposicionamento escolhida de acordo com o canal e o mecanismo envolvidos.

Reposicionamento

Manobras usam sequências de posições para conduzir as partículas para fora do canal onde estão provocando sintomas.

Reavaliação

O teste pode ser repetido para verificar se o nistagmo e a vertigem posicional desapareceram ou mudaram de padrão.

Reabilitação vestibular

Pode ser indicada quando permanecem desequilíbrio, sensibilidade ao movimento ou outras necessidades vestibulares além da VPPB.

Diretrizes clínicas recomendam manobras de reposicionamento para VPPB do canal posterior e desaconselham restrições posturais rotineiras após a manobra. Medicamentos supressores vestibulares não tratam rotineiramente a causa da VPPB.
Segurança

Quando a tontura pode não ser VPPB

A VPPB possui um padrão relativamente específico. Sintomas fora desse padrão precisam ser avaliados com atenção.

Procure avaliação médica urgente se a tontura vier acompanhada de:

fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo; alteração de fala; visão dupla; perda importante de coordenação; desmaio; dor de cabeça súbita e muito intensa; dificuldade súbita para caminhar; dor torácica; ou outros sintomas neurológicos/cardiovasculares agudos. Perda auditiva súbita também merece avaliação médica rápida.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns

VPPB é a mesma coisa que labirintite?

Não. “Labirintite” é frequentemente usada de forma genérica para qualquer tontura, mas VPPB é uma condição posicional específica do sistema vestibular periférico.

A manobra de Epley funciona para toda VPPB?

Não. A manobra deve corresponder ao canal e ao mecanismo identificados. Epley é muito utilizada para VPPB do canal posterior, mas outros padrões exigem manobras diferentes.

Preciso fazer ressonância para diagnosticar VPPB?

Em um quadro típico que preenche critérios clínicos, diretrizes recomendam não solicitar imagem rotineiramente na ausência de sinais ou sintomas adicionais que indiquem outra investigação.

Posso fazer a manobra sozinho vendo um vídeo?

Existem orientações domiciliares em situações selecionadas, mas um primeiro episódio ou um quadro não confirmado merece avaliação para verificar se realmente é VPPB, qual lado/canal está envolvido e se existem contraindicações ou sinais atípicos.

A VPPB pode voltar?

Sim. Recorrências podem acontecer. Educação sobre o quadro e reavaliação quando os sintomas retornam fazem parte do cuidado.

Base científica

Referências utilizadas

• Bhattacharyya N. et al. Clinical Practice Guideline: Benign Paroxysmal Positional Vertigo (Update). Otolaryngol Head Neck Surg. 2017. PubMed.

• Bhattacharyya N. et al. Clinical Practice Guideline: Benign Paroxysmal Positional Vertigo (Update) Executive Summary. 2017. PubMed.

A tontura aparece ao deitar ou virar na cama?

Uma avaliação vestibular pode verificar se o padrão é compatível com VPPB e, quando indicado, direcionar a manobra de reposicionamento adequada.